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Roteirização e planejamento de rotas: o quilômetro que você não roda é o mais barato

Ilustração de ícone de mapa com rota traçada entre pontos de parada sobre fundo colorido

Pergunte a dez transportadores como a rota é montada e oito vão responder alguma variação de “o motorista conhece o caminho”. Funciona até o dia em que o caminhão fica retido numa restrição de circulação em São Paulo, estoura a janela do cliente e volta para a base com a entrega a bordo.

Roteirizar é decidir, antes de o veículo sair do pátio, qual sequência de paradas, por quais vias, em quais horários e a que custo. E existe uma régua simples para saber se você faz isso bem: quantos quilômetros a sua frota roda sem necessidade.

O quilômetro mais barato da sua operação é o que você não roda: ele não queima diesel, não paga pedágio, não desgasta pneu e não consome jornada de motorista.

Traçar no Google Maps não é roteirizar

O Google Maps resolve um problema específico: o caminho mais rápido entre dois pontos para um carro de passeio, naquele momento. A sua operação tem outro problema: várias entregas no mesmo veículo, caminhões com perfis diferentes, clientes que só recebem em horários específicos e um custo por quilômetro que o mapa desconhece.

O resultado de tratar os dois problemas como se fossem o mesmo aparece no fim do mês. São rotas que cruzam a cidade duas vezes, carreta mandada para rua sem espaço de manobra, motorista esperando três horas na porta do CD porque chegou fora da janela.

Pior: quem planeja no mapa de carro não registra o plano em lugar nenhum. Sem plano registrado, não existe comparação entre o que foi planejado e o que foi rodado, e sem essa comparação você nunca descobre quanto está perdendo.

As restrições que o mapa não enxerga

Uma rota de verdade é desenhada contra uma lista de restrições. Ignorar qualquer uma delas transforma a rota “ótima” do mapa em prejuízo na rua.

  • Janela de atendimento. O CD do cliente recebe das 6h às 10h. Se o caminhão chega 10h15, dorme na fila ou volta no dia seguinte, e a diária do veículo parado sai do seu bolso.
  • Restrição urbana e rodízio. São Paulo é o exemplo óbvio, com zona de máxima restrição de circulação para caminhões, rodízio por final de placa e horários proibidos em vias expressas. Mas Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba e dezenas de cidades médias têm regras próprias, e a multa ainda vem com pontos na CNH do motorista.
  • Perfil de via. Altura de viaduto, limite de peso por eixo em ponte, trecho de serra que um bitrem carregado não deveria encarar. O mapa de carro não avisa nada disso.
  • Pedágio. Cada praça cobra por eixo, e dois corredores entre as mesmas cidades podem ter diferença de centenas de reais por viagem em um conjunto de seis eixos.
  • Jornada do motorista. A rota precisa caber na jornada legal, com pausas, intervalo e descanso entre jornadas. Um planejamento que exige 14 horas de direção não é rota, é passivo trabalhista em formação.
  • Ponto de parada seguro. Em corredores com risco de roubo de carga, o pernoite não pode ser “onde der”. Posto homologado, pátio com vigilância e trecho crítico atravessado de dia fazem parte do desenho da rota, não são detalhe.

Sobre o penúltimo item, vale reforçar: tempo de direção e descanso são lei, com fiscalização cada vez mais apoiada em dados eletrônicos. Quem quiser se aprofundar, temos um guia completo sobre as regras e o controle da jornada do motorista.

Distribuição urbana e longa distância são problemas diferentes

Na distribuição, o desafio central é sequenciamento: em que ordem visitar 25 clientes para rodar menos e cumprir todas as janelas. Trocar a ordem de duas entregas pode economizar 40 km no dia, e 40 km multiplicados por 15 veículos e 22 dias úteis viram mais de 13 mil quilômetros por mês.

Na longa distância, o problema muda de natureza. A escolha é entre corredores: qual rodovia, quantas praças de pedágio, onde abastecer, onde o motorista dorme e se existe carga para o retorno. Errar aqui não custa 40 km, custa uma diária inteira de veículo e motorista.

Por isso a mesma ferramenta raramente atende igual aos dois mundos. E por isso a roteirização, que decide o caminho, precisa conversar com a programação, que decide qual veículo e qual motorista assumem cada carga. Detalhamos essa segunda metade no post sobre programação de viagens da frota.

O custo real: a rota mais curta pode ser a mais cara

Comprimento de rota é só uma variável da conta. O custo real soma diesel, pedágio, tempo do motorista e as consequências do horário de chegada.

Um exemplo plausível: de Campinas a Curitiba, a opção A tem 60 km a menos, mas passa por serra que derruba a média do caminhão carregado para 1,9 km/l e entrega o motorista no cliente às 21h, fora da janela. Resultado: pernoite, diária de pátio e descarga só às 8h do dia seguinte.

A opção B roda 60 km a mais por pista dupla, mantém média de 2,4 km/l, paga uns R$ 180 a mais de pedágio e descarrega no mesmo dia. No mapa, a A vence. Na conta da operação, a B sai algumas centenas de reais mais barata e devolve o conjunto um dia antes para a próxima viagem.

Essa conta só fecha para quem conhece o próprio custo por quilômetro e o consumo real de cada veículo em cada tipo de trecho. Sem esse dado, discussão de rota é troca de achismo. Vale também revisar o que de fato reduz o consumo de combustível da frota, porque rota e consumo andam juntos.

É exatamente essa conta que o Growth Log faz antes de a viagem sair: custo previsto com diesel pelo consumo histórico do veículo, pedágio por eixo no corredor escolhido e diárias estimadas. A comparação entre duas rotas deixa de ser opinião de balcão e vira número na tela.

Quando o dia desanda: replanejar é parte do plano

Nenhuma rota sobrevive intacta ao dia real. Cliente que não recebe, chuva que interdita a serra, veículo que quebra na terceira entrega. A pergunta não é se o plano vai mudar, é quanto custa cada mudança.

Quem roteiriza no papel replaneja no telefone: o gestor liga para cada motorista e improvisa entrega por entrega. Quem tem o plano em sistema resequencia as paradas restantes, realoca volume para o veículo mais próximo e avisa os clientes do novo horário em minutos.

A diferença aparece na régua de sempre: o improviso quase sempre roda mais quilômetro, porque cada decisão olha uma entrega isolada, e não o dia inteiro da frota.

Roteirizador sofisticado ou programação bem feita?

Aqui vai a régua honesta, porque roteirizador de otimização matemática custa caro e nem toda operação precisa de um.

Vale a pena quando há densidade: distribuição com 20, 40, 80 paradas por rota, janelas apertadas na maioria dos clientes e frota grande o bastante para que 5% de quilômetro economizado pague a ferramenta com folga. Nesse cenário, nenhum ser humano sequencia melhor que o algoritmo.

Não vale quando a operação é de lotação, com uma carga por veículo entre origem e destino conhecidos. O ganho ali está em programação bem feita sobre dado histórico: qual corredor rende mais, qual o custo real de cada trecho e onde existe frete de retorno para não voltar vazio. Um roteirizador sofisticado otimizaria uma sequência de paradas que não existe.

Entre os dois extremos, comece pelo básico antes de assinar qualquer coisa: histórico limpo, restrições cadastradas e disciplina de comparar planejado com realizado toda semana. A maioria das transportadoras perde mais dinheiro em rota que ninguém confere do que em rota mal otimizada.

Rota, custo e execução no mesmo lugar

O elo que costuma faltar não é o algoritmo, é a conexão. A rota vive numa ferramenta, o custo numa planilha e a execução no WhatsApp: três versões da mesma viagem que nunca se encontram.

Esse é o papel do TMS. No Growth Log, o módulo de programação de viagens junta as três pontas: a viagem nasce com rota, veículo, motorista e custo previsto; a execução alimenta o realizado com abastecimentos, pedágios, ocorrências e horários; e o comparativo mostra, viagem a viagem, onde o plano bateu e onde vazou dinheiro.

Com isso o ciclo fecha. O custo real de cada corredor vira insumo do próximo planejamento, a jornada do motorista entra como restrição desde o início (e não como surpresa na fiscalização) e o gestor enxerga em uma tela o que antes vivia espalhado em três lugares.

Se a sua roteirização ainda é um mapa aberto no navegador e o custo do quilômetro rodado só aparece no fechamento do mês, dá para fazer muito melhor com o dado que a sua operação já gera todos os dias. Agende uma demonstração.

Leia também: Entrega em 15 minutos: o que o quick commerce exige da transportadora.

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