Plataforma · · Atualizado em 11 de outubro de 2026

Como comparar sua transportadora com o mercado (sem chutar)

ícone de balança comparando dois caminhões, representando benchmark entre transportadora e mercado

Gestor de transportadora vive comparando números com a própria memória. “Esse mês o custo por km subiu” vira decisão sem saber se o mercado inteiro subiu junto, ou se o problema é só interno. Sem referência externa, todo KPI fica flutuando no vácuo.

A boa notícia é que existem fontes públicas e setoriais que dão esse ponto de comparação. ANTT, CNT e NTC&Logística publicam dados regulares sobre custo, frota, condição de estradas e frete mínimo. O desafio não é achar o dado, é saber usar sem comparar operações que não são comparáveis.

Este texto mostra onde buscar cada tipo de referência e como aplicar sem cair na armadilha de misturar peso, distância média e tipo de carga diferentes.

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ANTT: situação cadastral, autuações e piso mínimo

A ANTT mantém o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas), obrigatório para quem transporta carga de terceiros mediante remuneração. A consulta pública é gratuita, por CNPJ, CPF ou placa, e mostra situação do cadastro e da frota vinculada.

Isso serve como benchmark de regularidade: quantos veículos da frota própria estão com RNTRC ativo, quantos motoristas terceiros contratados têm situação regular antes de rodar. Não é um número de mercado, mas é um piso de conformidade que toda transportadora deveria bater.

A ANTT também atualiza periodicamente a tabela de piso mínimo de frete, hoje com os coeficientes da Portaria SUROC nº 22/2026. Os valores variam por eixo, na carga geral, de R$ 4,0738 por km para veículos com dois eixos carregados até R$ 9,4114 por km para composições com nove eixos. Comparar o frete cobrado com esse piso mostra rapidamente se uma rota está sendo negociada abaixo do que a lei permite.

CNT: condição de rodovias e cenário do setor

A Pesquisa CNT de Rodovias avalia pavimento, sinalização e geometria das principais rodovias do país, rota por rota. Ela é útil para outro tipo de benchmark: entender se um custo de manutenção ou consumo de combustível mais alto numa rota específica é reflexo de má condição de via, e não falha de operação.

A CNT também divulga levantamentos sobre o cenário econômico do transporte rodoviário de cargas, incluindo estimativas de consumo extra de combustível causado por estradas ruins. Um levantamento recente da entidade associou más condições de rodovias a consumo adicional de cerca de 1,2 bilhão de litros de diesel no setor em 2025.

Esse tipo de dado ajuda a separar o que é ineficiência interna do que é custo estrutural da malha viária que nenhuma transportadora controla sozinha.

NTC&Logística: composição de custo e defasagem de frete

O DECOPE, departamento técnico da NTC&Logística, calcula estrutura de custo do transporte rodoviário de cargas há décadas. Segundo a entidade, o diesel representa em média 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras, o maior item da planilha de custos.

A NTC também acompanha a diferença entre o custo calculado tecnicamente e o frete efetivamente recebido pelas empresas. Levantamentos da entidade já apontaram defasagem de dois dígitos percentuais entre o que custa operar e o que o mercado paga, sinal de que negociar frete abaixo do custo real não é exceção, é prática recorrente do setor.

Usar esses percentuais como referência ajuda o gestor a saber se a composição de custo da própria empresa está fora da curva do setor, ou se é o setor inteiro que está espremido.

O erro mais comum: comparar operações diferentes

Nenhum desses dados serve para comparação direta se a operação de referência for muito diferente da sua. Custo por km de uma carreta em rota curta urbana não é comparável ao custo por km da mesma carreta em rota longa interestadual.

O mesmo vale para tipo de carga. Carga geral seca tem estrutura de custo diferente de carga refrigerada, perigosa ou de alto valor agregado, que exigem seguro, rastreamento e manutenção específicos.

Antes de comparar qualquer indicador externo com o interno, normalize pela mesma variável: distância média da faixa, peso médio por viagem, tipo de carga predominante. Um benchmark de “custo por km” só é útil se a faixa de distância for parecida com a das próprias rotas.

Pela Growth Log, separar os KPIs internos por faixa de distância, tipo de carga e cliente fica automático, porque cada viagem já nasce classificada no sistema. Isso elimina o trabalho manual de segmentar a operação antes de comparar com a referência externa, e evita comparar maçã com laranja sem perceber.

Como transformar dado externo em decisão interna

O uso prático desses números não é copiar a média do setor e aplicar de forma genérica. É usar como teto e piso de sanidade.

Se o custo por km está muito abaixo da média do setor calculada pela NTC, vale checar se algum item de custo não está sendo lançado corretamente, como manutenção preventiva ou depreciação. Se está muito acima, o problema pode estar em rota, consumo de combustível ou ociosidade de frota.

Se o frete negociado está abaixo do piso mínimo da ANTT para aquele eixo, isso é risco jurídico, não só financeiro. E se a condição das rodovias na Pesquisa CNT for ruim numa rota frequente, isso justifica um custo de manutenção mais alto que não deve ser tratado como ineficiência da equipe.

Pela Growth Log, o financeiro integrado à operação permite acompanhar custo por km, por rota e por tipo de carga em tempo real, com histórico organizado para comparar mês a mês antes mesmo de buscar a referência externa. Isso encurta o caminho entre “algo mudou” e “por que mudou”.

Conclusão

Comparar a transportadora com o mercado exige três coisas: dado interno organizado, referência externa confiável e cuidado para não comparar operações diferentes. ANTT, CNT e NTC&Logística cobrem boa parte dessa referência externa, de forma pública e gratuita.

A parte que normalmente falta é o dado interno organizado por rota, distância e tipo de carga, pronto para ser comparado. Se a sua operação ainda depende de planilha para chegar nesse nível de detalhe, vale conhecer como a Growth Log estrutura esses indicadores automaticamente a partir da operação do dia a dia.

Leia também: KPIs da transportadora: o painel essencial em quatro blocos, Rentabilidade por cliente e por rota: onde a margem nasce e onde ela morre e OTIF e nível de serviço: como medir entregas no prazo e completas.

Este texto faz parte do Guia de preço, custo e margem do frete, que reúne todos os artigos sobre o tema.

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