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Diesel subiu 7%: quanto pesa no frete e como repassar ao cliente

Em cinco semanas, o litro do diesel S10 passou de R$ 6,88 para R$ 7,36 na média nacional da ANP. São 7% a mais no maior custo variável da transportadora, enquanto a maioria das tabelas de frete continua com o preço de agosto.
Quem não repassa paga a diferença com a própria margem. E como o diesel pesa perto da metade do custo de rodar, uma alta assim come uma fatia grande do lucro da viagem.
Este texto mostra o que os números da ANP dizem, quanto o diesel pesa no seu custo, como calcular o repasse e como deixar o reajuste escrito no contrato para não depender de negociação a cada alta.
Quer refazer seu custo com o diesel novo? Use a calculadora de custo por km da Growth Log: troque o preço do litro e veja o novo custo por quilômetro e o preço mínimo da viagem.
O que os números da ANP mostram
A ANP publica toda semana o preço médio do diesel nos postos de todo o país. A série de 2026 do diesel S10 explica por que o assunto voltou à mesa.
- Janeiro: R$ 6,12 por litro, preço que se manteve estável até o fim de fevereiro.
- Março: a primeira disparada, até R$ 7,58 na semana de 29 de março a 4 de abril.
- Abril a agosto: queda lenta, até R$ 6,88 no fim de agosto.
- Setembro e outubro: nova alta, para R$ 7,33 na semana de 20 a 26 de setembro e R$ 7,36 na semana de 4 a 10 de outubro.
No acumulado do ano, o S10 subiu 20%. A diferença entre regiões também importa para quem roda longe: na semana de 4 a 10 de outubro, a média foi de R$ 7,20 no Sudeste, R$ 7,32 no Sul, R$ 7,48 no Centro-Oeste, R$ 7,50 no Nordeste e R$ 7,52 no Norte.
Segundo levantamento da Mundo Logística, a alta de setembro veio do petróleo acima de US$ 100 o barril, da proibição de exportação de diesel pela Rússia e da defasagem entre o preço da Petrobras e o do produto importado. Como cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, segundo o SETCESP, o preço externo chega rápido à bomba.
Quanto o diesel pesa no seu custo
A própria ANTT dá uma pista boa. Quando o diesel de referência passou de R$ 6,97 para R$ 7,33, alta de 5,2%, a Portaria SUROC 22 subiu o coeficiente de deslocamento da tabela de frete mínimo entre 1,9% e 3,3%, sem mexer em mais nada.
Fazendo a conta inversa, o combustível responde por 36% a 50% do custo por quilômetro na Tabela A, a da contratação do caminhão completo. Para carga geral em composição de 6 eixos, são 47%. Na sua operação, o peso depende do consumo, da rota e de quanto do custo fixo você dilui em cada quilômetro, mas dificilmente fica longe disso.
Para saber o seu número, divida o gasto com diesel do mês pelo custo total do mês, o mesmo que entra no seu custo por quilômetro. Sem abastecimento lançado com hodômetro, essa conta não fecha, e por isso a gestão de combustível vem antes de qualquer reajuste.
A conta do repasse, passo a passo
Um exemplo hipotético deixa a conta concreta. Uma viagem tem frete de R$ 10.000 e custo de R$ 9.200, ou seja, margem de 8%. Desse custo, R$ 3.680 são diesel.
- Calcule o aumento do diesel: R$ 3.680 × 7% = R$ 258 a mais por viagem.
- Veja o efeito na margem: sem repasse, a margem cai de R$ 800 para R$ 542, de 8% para 5,4%. Um terço do lucro some.
- Calcule o repasse: para manter os R$ 800, o frete precisa subir R$ 258, ou 2,6%.
Repare que o reajuste necessário é bem menor que a alta do diesel, porque o combustível é só uma parte do custo. Pedir 7% ao cliente parece abuso. Pedir 2,6% com a conta na mão é uma conversa técnica.
Na frota, o efeito é igualmente concreto. Uma carreta que roda 12 mil km por mês fazendo 2,4 km por litro consome 5 mil litros. Com R$ 0,48 a mais por litro, são R$ 2.400 por mês, por caminhão.
O piso da ANTT já subiu, mas não é o seu preço
A tabela de frete mínimo foi reajustada pelo gatilho do diesel e vale desde 30 de setembro. Os coeficientes atualizados estão no nosso guia da tabela de frete mínimo da ANTT e na calculadora de frete ANTT.
O piso é o limite abaixo do qual ninguém pode contratar. Ele não cobre margem, custo administrativo nem a realidade da sua rota, então serve como chão, não como tabela. Quem precifica perto do piso precisa repassar o diesel ainda mais rápido.
A referência da ANTT agora é R$ 7,33. Se a média nacional variar 5% em relação a esse valor, a tabela é revista de novo. Na prática, o próximo gatilho fica perto de R$ 7,70 para cima ou de R$ 6,96 para baixo.
Como colocar o diesel no contrato
O reajuste que depende de negociação chega tarde. Quando o cliente aceita, a transportadora já pagou dois ou três meses de diesel mais caro. A saída é uma cláusula de reajuste automático, com quatro elementos.
- Índice público: a média semanal do diesel S10 da ANP, do Brasil ou do estado da operação.
- Preço base: o valor do índice na data da proposta, escrito no contrato.
- Peso do diesel: a parcela do frete que acompanha o combustível, por exemplo 37%.
- Gatilho e prazo: a variação mínima que dispara o reajuste, como 3%, e a partir de quando ele vale.
A fórmula fica simples: novo frete = frete × (1 + peso do diesel × variação do índice). Com peso de 37% e alta de 7%, o reajuste é de 2,6%, o mesmo do exemplo acima. Como a regra vale para baixo também, o cliente tem a mesma proteção quando o diesel cai.
Outras cláusulas que protegem a margem, como estadia e prazo de pagamento, estão no artigo sobre contrato de transporte. Para revisar a tabela inteira, veja como montar a tabela de frete.
O que fazer nesta semana
- Recalcule o custo por quilômetro de cada tipo de veículo com o diesel a R$ 7,36, ou com o preço médio que você pagou na bomba.
- Liste os clientes com contrato sem cláusula de reajuste e calcule o repasse de cada um.
- Confira se alguma tabela ficou abaixo do piso novo da ANTT.
- Revise o consumo por veículo: um caminhão fazendo 10% menos que a média custa mais que a alta do diesel.
- Marque na agenda a próxima conferência do preço da ANP, que sai toda semana.
Este texto faz parte do Guia de preço, custo e margem do frete, que reúne todos os artigos sobre o tema.
A opinião da Growth Log
Na nossa visão, alta de diesel só vira crise para quem descobre o tamanho do estrago no fechamento do mês. Quem tem o custo de cada viagem atualizado vê a margem cair na semana em que o preço sobe e vai ao cliente com a conta pronta.
O reajuste é mais fácil de negociar quando ele é previsível. Contrato com índice, base e gatilho tira o assunto da mesa de negociação e coloca no faturamento.
Como um TMS ajuda a repassar o diesel
No Growth Log, cada abastecimento entra com hodômetro e passa por aprovação, e os dados de telemetria são importados para o mesmo lugar. Assim o consumo por veículo e o custo por quilômetro saem de dado real, não de média de planilha. Veja o módulo de combustível.
Como cotação, viagem, despesas e financeiro ficam ligados, a margem prevista de cada cliente pode ser comparada com a realizada, e a queda causada pelo diesel aparece antes do fim do mês. Quer ver essa conta com os dados da sua frota? Agende uma demonstração.
Perguntas frequentes sobre o diesel e o frete
Qual o preço médio do diesel S10 hoje? Na semana de 4 a 10 de outubro de 2026, a média nacional da ANP foi de R$ 7,36 por litro, com postos entre R$ 5,89 e R$ 9,19.
Quanto devo reajustar o frete quando o diesel sobe? Multiplique a alta do diesel pelo peso do combustível no seu frete. Com diesel 7% mais caro e peso de 37%, o reajuste é de cerca de 2,6%.
A tabela da ANTT muda toda vez que o diesel sobe? Muda quando a variação chega a 5% em relação ao preço de referência, hoje R$ 7,33. Fora isso, a revisão é semestral, em janeiro e julho.
Fontes: ANP, Levantamento de Preços de Combustíveis, resumos semanais de 2026; ANTT, Portaria SUROC nº 22/2026; Mundo Logística; SETCESP.


