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Acidentes de caminhão nas rodovias federais: dados da PRF

Ícones de alerta e caminhão sobre fundo areia

Em 2025, a Polícia Rodoviária Federal registrou 18.683 acidentes nas rodovias federais com pelo menos um caminhão, caminhão-trator ou semirreboque envolvido. Eles somam 25,8% de todas as ocorrências do ano, mas 46,7% das mortes: 2.822 de 6.043.

Este post usa os dados abertos da PRF, que calculamos em casa, para mostrar quando, onde e por que esses acidentes acontecem, e o que a transportadora controla para reduzir o risco.

De onde vêm os números

A base é o arquivo “Acidentes 2025 (agrupados por pessoa)”, dos dados abertos da PRF, com ocorrências de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025. Contamos cada acidente uma vez, quando ao menos um veículo era do tipo Caminhão, Caminhão-trator ou Semirreboque.

Dois cuidados de leitura. “Envolvido” não é “culpado”: a causa registrada pela PRF é a do acidente, e pode ser de outro condutor. E as mortes contadas são todas as do acidente, não só as de quem estava no caminhão.

Os números de 2025 em resumo

  • 18.683 acidentes com caminhão, de 72.529 no total (25,8%);
  • 2.356 deles com vítima fatal, de 5.210 acidentes fatais no total (45,2%);
  • 2.822 mortos nesses acidentes, de 6.043 no total (46,7%);
  • 665 dessas mortes eram de ocupantes de caminhão ou semirreboque. As outras 2.157 eram de pessoas em outros veículos, a pé ou de moto.

O padrão é conhecido de quem opera: o caminhão pesa mais, então o outro lado costuma pagar o preço. Isso não reduz a responsabilidade da transportadora, aumenta.

As principais causas

As cinco causas mais registradas nos acidentes com caminhão em 2025 foram:

  • reação tardia ou ineficiente do condutor: 2.887 (15,5%);
  • ausência de reação do condutor: 2.759 (14,8%);
  • acessar a via sem observar a presença dos outros veículos: 1.475 (7,9%);
  • velocidade incompatível: 1.413 (7,6%);
  • demais falhas mecânicas ou elétricas: 1.240 (6,6%).

Também aparecem condutor dormindo (818, ou 4,4%) e ingestão de álcool pelo condutor (663, ou 3,5%). As duas primeiras causas, juntas, somam 30,3% e apontam para atenção e fadiga, mais do que para defeito de veículo.

Entre os acidentes fatais, o ranking muda. Transitar na contramão lidera, com 397 casos (16,9%), seguido de ausência de reação (337) e reação tardia (278).

Que tipo de acidente é

Por tipo, em todos os acidentes com caminhão, a colisão traseira é a mais frequente: 4.199 casos (22,5%). Depois vêm a colisão lateral no mesmo sentido (2.261), o tombamento (2.082), a saída de leito carroçável (2.079) e a colisão frontal (1.823).

Nos acidentes fatais, a colisão frontal sozinha responde por 769 dos 2.356 casos (32,6%). É o tipo que mais mata, embora não seja o mais comum.

Dia da semana e horário

Os dias úteis concentram o maior volume, e a sexta-feira lidera, com 3.013 acidentes (16,1%). O domingo tem o menor número, 1.930 (10,3%), em linha com menos caminhões na estrada.

Pelo horário, o pico é à tarde: 1.122 acidentes às 16h e 1.121 às 15h. Mas a noite pesa: 31,0% dos acidentes ocorreram em “plena noite”, e 2.766 deles (14,8%) entre meia-noite e 5h59, quando o risco de sono é maior.

Rodovias e estados

A BR-116 teve 2.984 acidentes com caminhão (16,0%) e 374 mortes. A BR-101 teve 2.574 (13,8%) e 303 mortes. Juntas, as duas respondem por quase 30% das ocorrências. Na sequência: BR-381 (1.102), BR-153 (993) e BR-163 (865).

Por estado, Minas Gerais lidera com 3.104 acidentes (16,6%), seguido de Paraná (2.098), Santa Catarina (1.748), Bahia (1.423) e São Paulo (1.170). O ranking acompanha o tamanho da malha e o volume de carga, não necessariamente a gravidade.

E em 2026?

O arquivo de 2026 vai só até 31 de agosto. Nesse período, a PRF registrou 12.498 acidentes com caminhão e 1.983 mortes, com a mesma proporção de 2025: cerca de um quarto das ocorrências e perto da metade das mortes.

O que a transportadora controla

Nem toda causa está nas mãos da empresa, mas boa parte está. Cinco frentes dão retorno direto:

  • Jornada e descanso. A Resolução Contran 525/2015, que regulamenta a Lei 13.103, exige 30 minutos de descanso dentro de cada 6 horas na condução de carga, com no máximo 5 horas e meia contínuas de direção, e 11 horas de descanso a cada 24 horas. Veja o controle de jornada do motorista.
  • Velocidade e telemetria. Velocidade incompatível, frenagem brusca e distância do veículo da frente aparecem em dados de telemetria antes de virarem acidente. O texto sobre telemetria, rastreamento e câmeras com IA mostra como usar esse dado. Sobre o tacógrafo, veja o que segue valendo.
  • Manutenção. Falhas mecânicas ou elétricas foram a quinta causa em 2025, com 1.240 acidentes. Freio, pneu e suspensão em dia são a parte mais barata de evitar.
  • Exame toxicológico. Para as categorias C, D e E com menos de 70 anos, a Resolução Contran 1.009/2024 prevê novo exame a cada 2 anos e 6 meses, a contar da obtenção ou renovação da CNH. Prazos e armadilhas estão em exame toxicológico do motorista.
  • Treinamento e gestão de risco. Treinar direção defensiva e definir regras de rota, horário e parada reduz a exposição. O guia de gerenciamento de risco no transporte detalha o que a seguradora cobra.

Um exemplo vem de um grande embarcador. A MBRF, que roda cerca de 700 milhões de quilômetros por ano com perto de 300 transportadoras parceiras, informou em setembro de 2026 uma queda de 73% na taxa de acidentes por milhão de quilômetros, depois de pôr câmeras com IA em 90% da frota e telemetria em todos os veículos. O número é da própria empresa, não auditado, mas indica o que o embarcador grande vai cobrar dos parceiros.

A opinião da Growth Log

Os dados da PRF mostram que as causas mais comuns são humanas e de atenção: reagir tarde, não reagir, dormir. Isso não se resolve com cartaz na garagem. Resolve-se com programação que respeita o descanso e com alguém que vê o risco antes do acidente.

Achamos que o erro mais comum é tratar cada incidente como caso isolado. Um motorista que freia forte toda semana, uma viagem que sempre passa das 5h30 sem parada: são sinais que aparecem em dados, mas só valem se alguém olha para eles e age.

Como um TMS ajuda

No Growth Log, o motorista e o veículo de cada viagem, a manutenção e os documentos ficam no mesmo sistema, com alerta antes do vencimento. Veja o módulo de gestão de riscos ou agende uma demonstração.

Perguntas frequentes sobre acidentes de caminhão

Quantos acidentes com caminhão a PRF registrou em 2025? Foram 18.683 acidentes com ao menos um caminhão, caminhão-trator ou semirreboque, 25,8% do total, segundo nosso cálculo sobre os dados abertos da PRF.

Qual a principal causa? Reação tardia ou ineficiente do condutor, com 2.887 acidentes (15,5%). Nos acidentes fatais, a principal foi transitar na contramão.

Quais as rodovias com mais acidentes com caminhão? A BR-116 (2.984) e a BR-101 (2.574) lideraram em 2025.

Quem estava no caminhão morreu mais? Não. Dos 2.822 mortos nos acidentes com caminhão, 665 eram ocupantes de caminhão ou semirreboque. A maioria das vítimas estava em outros veículos ou a pé.

Fonte: Polícia Rodoviária Federal, Dados Abertos, “Acidentes 2025 (agrupados por pessoa)” e “Acidentes 2026 (agrupados por pessoa)”, até 31/08/2026, gov.br/prf, cálculo próprio do Growth Log; Resolução Contran 525/2015; Resolução Contran 1.009/2024.

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