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Apagão de motoristas: o que os dados do Renach mostram e como se preparar

A carga está confirmada, o caminhão está no pátio e o contrato está assinado. Falta só quem dirija. Para muita transportadora, essa cena deixou de ser exceção de fim de ano e virou rotina de segunda-feira.
O mercado chama isso de apagão de motoristas. A expressão parece exagero até a gente olhar os números oficiais de habilitação, que mostram menos gente nas categorias de caminhão, menos jovens entrando e mais motoristas perto de parar.
Este texto mostra o que os dados do Renach dizem, quanto custa um caminhão parado por falta de motorista e o que a transportadora pode fazer agora, antes que o problema apareça no faturamento.
Quer saber quanto um caminhão parado custa por dia? Use a calculadora de custo por km da Growth Log: ela separa o custo fixo, que continua correndo com o caminhão parado, do custo variável.
O que os dados oficiais mostram
O Renach, registro nacional de habilitados mantido pela Senatran, publica todo mês a quantidade de condutores por categoria, estado e faixa etária. Comparando dezembro de 2015 com setembro de 2026, o quadro é claro.
- O país tem muito mais motoristas: o total de habilitados passou de 65,3 milhões para 90,0 milhões, alta de 38%.
- Mas menos motoristas de caminhão: as categorias C e E, com ou sem moto (C, AC, E e AE), caíram de 5,61 milhões para 4,44 milhões, queda de 21%. É o mesmo número que o ILOS vem usando para falar em apagão.
- A categoria C encolheu quase pela metade: C e AC foram de 3,78 milhões para 2,01 milhões. A categoria E, de carreta, cresceu 33%, para 2,43 milhões, em parte porque quem sobe de categoria sai da contagem da C.
- Entra pouca gente nova: nas categorias de caminhão, os habilitados de 18 a 25 anos caíram de 103 mil para 57 mil. Quem tem até 30 anos é só 4,2% do total.
- A base envelheceu: 60,9% dos habilitados em C e E têm mais de 50 anos, contra 47,9% em 2015. Os acima de 60 anos passaram de 18,3% para 34,8%, ou 1,55 milhão de pessoas.
Uma ressalva honesta: o Renach conta registros de habilitação, e isso inclui gente que tem a categoria e não dirige mais. A prova é que a base de setembro de 2026 tem mais de 100 mil habilitados em C, D ou E acima de 90 anos. O número de motoristas que de fato estão na estrada é menor que o da tabela, o que só agrava a conta.
Por que a renovação não acontece
O motorista que sai não está sendo substituído na mesma velocidade. A pesquisa Realidade do Caminhoneiro Autônomo 2025, da CNTA, ouviu mais de 2 mil caminhoneiros e encontrou idade média de 46 anos, jornada de cerca de 14 horas por dia e 25 dias de trabalho por mês.
O dado que mais chama atenção é outro: entre os entrevistados com filhos, 85,8% disseram que nenhum deles pretende seguir a profissão. A mesma pesquisa registra 8 dias de férias por ano e até 16 dias seguidos longe de casa.
A porta de entrada também é longa. Para dirigir carreta, o candidato precisa ter 21 anos, passar antes pelas categorias B e C, com tempo mínimo em cada uma, e fazer o exame toxicológico, que precisa ser renovado periodicamente. Muita gente desiste no caminho.
Quanto custa um caminhão parado por falta de motorista
Caminhão sem motorista continua gerando custo. Parcela do financiamento, seguro, licenciamento, rastreador e a depreciação correm todos os dias, rodando ou não. O que para é a receita.
Um exemplo hipotético ajuda a dimensionar. Se o custo fixo de uma carreta é de R$ 18 mil por mês e ela trabalha 22 dias, cada dia parado consome cerca de R$ 820 sem gerar frete. Some a margem que deixou de entrar e a multa contratual quando a carga atrasa, e uma semana de vaga aberta passa fácil dos R$ 10 mil.
Há ainda o custo que não aparece na hora. Para cobrir a vaga, a operação estica a jornada de quem ficou, recusa carga boa ou contrata terceiro mais caro. O motorista sobrecarregado é o próximo a pedir para sair, e o ciclo se repete.
Cinco frentes para a transportadora se preparar
1. Reter quem já está dentro
Contratar motorista novo custa mais e demora mais do que manter o bom. Acerto de viagem claro, pagamento em dia, escala previsível e respeito ao descanso pesam tanto quanto o salário. Detalhamos as práticas que funcionam no artigo sobre como recrutar e reter motoristas.
2. Cortar o tempo que o motorista perde parado
Horas de espera em doca são horas de jornada que não viram quilômetro. Cada hora a menos de fila é capacidade que volta para a frota sem contratar ninguém. Medir e cobrar a estadia e o tempo de espera é também uma forma de produtividade.
3. Montar escala dentro da lei
Escala que estoura jornada esgota o motorista e gera passivo trabalhista. Planejar a viagem com pausas, refeição e descanso desde a programação reduz a rotatividade. As regras estão no guia de jornada do motorista, e o registro que vale como prova está no texto sobre ponto eletrônico do motorista.
4. Formar o próprio motorista
Algumas transportadoras passaram a bancar a mudança de categoria de ajudantes, manobristas e motoristas de caminhão leve. O investimento volta quando vem com acompanhamento nas primeiras viagens e um plano de carreira simples. O passo a passo da integração está em do CNH ao primeiro CT-e.
5. Combinar frota própria, agregado e terceiro
Nem toda demanda precisa de motorista CLT. Pico sazonal e rota esporádica podem ir para agregado ou terceiro, desde que a gestão de risco e o pagamento sigam a regra. A conta de cada modelo está em frota própria, agregado ou terceiro.
Os indicadores que mostram o problema antes do caixa
A falta de motorista aparece primeiro na operação e só depois no financeiro. Quatro números ajudam a enxergar cedo.
- Dias de caminhão parado por falta de motorista no mês, por base.
- Rotatividade de motoristas em 12 meses, separando quem saiu nos primeiros 90 dias.
- Tempo médio para preencher uma vaga, da abertura à primeira viagem.
- Horas de espera por viagem, que mostram quanto da jornada vira fila.
Esses números entram no mesmo painel dos indicadores da transportadora. Acompanhados todo mês, eles avisam que a vaga vai abrir antes do pedido de demissão.
Este texto faz parte do Guia do motorista: jornada, contratação e retenção, que reúne todos os artigos sobre o tema.
A opinião da Growth Log
Na nossa visão, o apagão de motoristas não se resolve só com salário maior. O motorista sai quando a conta do acerto não fecha, quando a escala muda toda semana e quando passa metade da jornada esperando em doca.
Tudo isso é gestão, e gestão depende de dado. A transportadora que sabe quanto tempo cada motorista passa parado, quanto recebe por viagem e quando está perto do limite da jornada consegue agir antes de perder o profissional.
Como um TMS ajuda a reter motoristas
No Growth Log, o motorista registra jornada, pausas e espera pelo aplicativo, inclusive sem sinal, e acompanha adiantamentos e despesas da viagem. A espera marcada na doca fica visível para a operação e para o comercial, que pode cobrar a estadia do cliente.
O dossiê do motorista, a jornada, o acerto e a viagem ficam no mesmo lugar, no módulo de RH de motoristas. Quer ver como sua operação fica com esses dados reunidos? Agende uma demonstração.
Perguntas frequentes sobre o apagão de motoristas
Quantos motoristas de caminhão o Brasil tem? Em setembro de 2026, o Renach registrava 4,44 milhões de habilitados nas categorias C, AC, E e AE. Como o registro inclui quem não dirige mais, o número de motoristas em atividade é menor.
A falta de motoristas é só no Brasil? Não. Estados Unidos e Europa também relatam déficit, com causas parecidas: profissão envelhecida, pouco atrativa para jovens e muito tempo longe de casa.
Qual a idade média do caminhoneiro? A pesquisa da CNTA de 2025 encontrou média de 46 anos entre os autônomos. No Renach, mais de 60% dos habilitados em C e E têm mais de 50 anos.
Fontes: Senatran, Renach (quantidade de condutores habilitados por categoria e faixa etária, dezembro de 2015 e setembro de 2026); CNTA, Realidade do Caminhoneiro Autônomo 2025.


