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Diesel S10 acumula alta de 20% em 2026 e fica estável em outubro

O diesel S10 chega à segunda quinzena de outubro cerca de 20% mais caro do que no começo do ano, mas parou de subir nas últimas semanas. O número que circulou nesta segunda-feira (19) em vários portais vem de um levantamento da TruckPag, empresa de pagamentos para o transporte, e bate com o Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP.
Pela ANP, o preço médio do S10 nas bombas foi de R$ 7,36 por litro na semana de 4 a 10 de outubro, com 3.136 postos pesquisados no país. Na primeira semana de janeiro, o mesmo levantamento marcava R$ 6,12, o que dá uma alta de 20,3% no ano. Na semana anterior, encerrada em 3 de outubro, a média estava em R$ 7,35.
Dois levantamentos, a mesma tendência
A TruckPag acompanha transações em 4.940 postos credenciados, cerca de 90% deles em rodovias. Nessa base, o S10 custou em média R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro, 20,1% acima da média de janeiro (R$ 5,78), e oscilou entre R$ 6,93 e R$ 6,96 ao longo dos quinze dias.
A diferença de preço entre as fontes tem explicação: a ANP coleta o preço de bomba em postos urbanos e rodoviários, enquanto a TruckPag registra o valor pago na própria rede, concentrada nas estradas. As duas mostram o litro estável num patamar bem acima da base usada nos contratos fechados no começo do ano.
O que é, de fato, a subvenção de R$ 3,52
O valor de “R$ 3,52 por litro” que aparece em parte da imprensa é a soma de duas parcelas e não é desconto na bomba. A Portaria MF nº 3.082, publicada em edição extra do Diário Oficial em 13 de outubro, acrescenta R$ 1,40 por litro à subvenção paga aos importadores de diesel A de uso rodoviário. Segundo o Ministério da Fazenda, esse adicional se soma aos R$ 2,12 por litro que já vigoravam.
O acréscimo vale por 30 dias contados da publicação e pode ser prorrogado por igual período. A base legal é a Medida Provisória 1.391, de setembro, e a ANP cuida da habilitação das empresas e do pagamento. O governo estima custo de R$ 1,6 bilhão no período e justifica a medida pelo peso do produto importado, que responde por cerca de 33% do diesel consumido no país.
Como o dinheiro vai para quem importa, o efeito sobre o preço final é indireto. O levantamento semanal mais recente da ANP termina em 10 de outubro e ainda não captura o período do adicional.
O que muda para a transportadora
Numa conta ilustrativa, um caminhão que faz 2,5 km por litro passou de cerca de R$ 2,45 para R$ 2,94 de diesel por quilômetro entre janeiro e outubro, pelos preços médios da ANP. Em 10 mil quilômetros por mês, são perto de R$ 5 mil a mais por veículo. Se o combustível pesa 35% do custo da operação, a alta de 20% no litro eleva o custo total em torno de 7%, que é o reajuste necessário para manter a margem.
Com o preço parado, fica mais fácil negociar com o cliente a partir de um número firme. Refaça a conta com o consumo real de cada veículo na calculadora de custo por km, revise o custo por quilômetro da frota e siga o roteiro de repasse do diesel ao frete; se a tabela inteira estiver defasada, veja como montar tabela de frete.
Fonte: ANP, Levantamento de Preços de Combustíveis, Portaria MF nº 3.082 e Ministério da Fazenda; com informações de Cenário Energia.


