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BNDES vai modelar concessão de 3.137 km de BRs no Norte e Nordeste

O BNDES e o Ministério dos Transportes assinaram em 14 de outubro, no Rio de Janeiro, um contrato para o banco preparar a concessão à iniciativa privada de 3.137 km de rodovias federais no Norte e no Nordeste. São cinco trechos da BR-153, BR-010, BR-226, BR-116 e BR-104, e a previsão oficial é ter os projetos concluídos até o fim de 2030.
O documento abre a fase de estudos, e não a concessão propriamente dita. Ainda não há pedágio definido, obra contratada ou data de leilão, e nenhum desses corredores muda de gestão agora.
Os cinco trechos e os estados
Segundo a Agência BNDES de Notícias, o contrato cobre os seguintes corredores:
- BR-153, no Pará e no Tocantins: 775 km;
- BR-226, no Piauí, no Maranhão e no Tocantins: 717 km;
- BR-010, no Maranhão e no Pará: 678 km;
- BR-104, na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas: 494 km;
- BR-116, no Ceará, na Paraíba e em Pernambuco: 473 km.
O comunicado do banco cita nove estados atendidos, incluindo o Rio Grande do Norte, mas não detalha onde cada trecho começa e termina. Os municípios de início e fim, a localização de praças e o volume de investimento por corredor também não foram divulgados.
Por que esses corredores
De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, banco e ministério avaliam a malha federal desde 2025 e priorizaram trechos em regiões de forte expansão econômica, sobretudo agrícola. Na fala dele, a ideia é “levar investimentos a regiões que, apesar do crescimento econômico, apresentam déficit de investimentos em infraestrutura”.
Redução do custo do pedágio e cobertura 5G nas rodovias estão entre as inovações que a modelagem deve trazer, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro. Ele lembrou que uma política da pasta, de 2024, reserva até 3% dos projetos para transição energética e resiliência.
Segundo a Agência iNFRA, Santoro ligou a escolha ao Matopiba e às novas fronteiras agrícolas, mas ressalvou que estudar um trecho não garante que ele será concedido. Os estudos vão apontar quais corredores têm tráfego e receita suficientes para atrair uma concessionária.
O que muda para a transportadora
No curto prazo, nada muda na operação: as cinco rodovias seguem sob gestão pública, sem tarifa nova e com a manutenção atual. Quem roda grãos, insumos e carga geral entre o Matopiba e os portos do Norte e do Nordeste deve, porém, tratar esse mapa como sinal de custo futuro, já que um eventual contrato tende a trazer pedágio só depois que os projetos, previstos para ficar prontos até o fim de 2030, forem a leilão.
Do outro lado, concessão costuma vir com obrigações de recuperação de pista, acostamento e terceiras faixas, o que reduz tempo de viagem, quebra de pneu e manutenção corretiva. Vale acompanhar as audiências públicas da ANTT quando os estudos forem publicados, porque é nelas que se discutem tarifa por eixo e posição das praças, e já registrar o custo por quilômetro desses trechos para comparar depois e repassar o pedágio no frete com base em dado real.
Para se preparar, veja como funciona o pedágio free flow para caminhão, as regras do vale-pedágio obrigatório e como medir a rentabilidade por cliente e por rota. Esses três pontos ajudam a calcular, desde já, quanto um novo pedágio pesaria em cada contrato.
Fonte: Agência BNDES de Notícias, com informações de NTC&Logística e Agência iNFRA.


