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Setor de cargas de Minas avalia frete de 30% a 40% mais caro em 2027

O frete cobrado por transportadoras mineiras pode ficar de 30% a 40% mais caro em janeiro de 2027. A faixa aparece em reportagem do Diário do Comércio de 29 de outubro, que a descreve como um estudo ainda em andamento no setor, sem índice definido.
O presidente do Setcemg, sindicato que reúne as empresas de transporte de cargas e logística do estado, Antônio Luís da Silva Júnior, confirmou ao jornal que a correção está em análise. “Estamos estudando os reajustes, mas a previsão é de uma alta expressiva a partir de janeiro”, afirmou.
Os custos por trás da conta
O gatilho mais concreto é tributário. O Confaz publicou no Diário Oficial da União, na quarta-feira (28), os convênios que atualizam o ICMS cobrado por litro de combustível, e o diesel passa a pagar R$ 1,30 por litro a partir de 1º de fevereiro de 2027, contra R$ 1,17 por litro fixados em 2025. O imposto sobe 11,1%, mas os R$ 0,13 a mais equivalem a cerca de 1,8% do preço médio do S-10 na bomba, de R$ 7,31 no fim de outubro, segundo a ANP.
Em entrevista ao Diário do Comércio, Silva Júnior estimou que, se o preço do diesel subisse 11%, só esse item levaria a um aumento de cerca de 4% no frete. Ele também disse que os combustíveis respondem por 30% a 40% do custo total da operação. “O repasse é inevitável”, resumiu.
O restante da pressão, de acordo com o dirigente, vem de outras frentes:
- a reforma tributária, cuja transição começou em 2026 e já pede ajustes de sistema e de rotina fiscal;
- a reoneração da folha de pagamento;
- a discussão sobre o fim da escala 6×1, que tende a encarecer a mão de obra.
Margem perto de zero
Segundo o dirigente, sobra pouco ou nada de margem nas operações, e algumas já dão prejuízo de 4% a 5%. Para o sindicato, a maioria das transportadoras do estado deve fechar 2026 sem lucro, e por isso falta fôlego para absorver custo novo.
A faixa de 30% a 40% vai muito além do efeito do imposto sobre o combustível, o que indica que a conta soma vários fatores ao mesmo tempo. Para entender o peso de cada item, vale rever o detalhamento da alta do ICMS do diesel e a estimativa da NTC para a folha com a jornada de 40 horas.
O que muda para a transportadora
Quem opera em Minas ou atende embarcadores mineiros tem menos de dois meses para abrir a negociação, já que a correção estudada pelo setor começa a valer em janeiro. O ponto de partida é a planilha de custo atualizada, separando o efeito do ICMS do diesel, da folha e das despesas fixas, para mostrar ao cliente de onde vem cada ponto percentual pedido.
Também vale incluir nos contratos uma cláusula de gatilho que reajuste o frete quando o diesel ou a folha variarem acima de um limite combinado, evitando esperar o aniversário do contrato. O guia sobre como repassar a alta do diesel ao cliente traz um roteiro para essa conversa.
Fonte: Setcemg, em entrevista ao Diário do Comércio; Diário Oficial da União, Despacho Confaz nº 50/2026 (Convênio ICMS 128/2026) e Despacho Confaz nº 27/2025; ANP.


