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Venda de caminhões cai 9,2% em outubro e acumula queda de 4,5% no ano

O mercado de caminhões novos chegou ao fim de outubro com 88.170 unidades emplacadas em 2026, volume 4,49% menor que os 92.311 registrados de janeiro a outubro de 2025. Os números estão no balanço mensal da Fenabrave, a federação dos distribuidores de veículos, divulgado nesta quarta-feira (4).
Só em outubro foram 9.498 caminhões, queda de 9,21% sobre outubro do ano passado (10.461) e de 3,58% sobre setembro (9.851). O resultado interrompe a leve reação de setembro, quando o mês tinha ficado acima do mesmo período de 2025.
Pesados lideram, leves perdem espaço
Os pesados responderam por 43,61% dos caminhões emplacados em outubro, e os semipesados, por 34,88%. No acumulado do ano, a fatia dos médios subiu de 11,49% para 13,88%, enquanto a dos leves caiu de 8,12% para 5,68% na comparação com o mesmo período de 2025.
Nos implementos rodoviários, a Fenabrave contou 6.049 unidades em outubro, recuo de 6,51% sobre outubro de 2025. No ano, o segmento soma 59.945 emplacamentos, praticamente estável (queda de 0,37%).
O contraste com o restante do mercado é grande. O mercado total de veículos acumula alta de 12,62% até outubro, e a Fenabrave elevou de 8,6% para 12,8% a previsão de crescimento para 2026, segundo a Agência Brasil. Para caminhões e ônibus, porém, a entidade mantém a expectativa de retração, ainda que menor do que a estimada em julho.
Segundo a Agência Brasil, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, afirmou que a entidade observa “uma recuperação gradual em segmentos como caminhões, ônibus e implementos rodoviários”. A recuperação aparece no ritmo: até abril, a queda acumulada dos caminhões passava de 15%.
Juros altos e Fenatran na próxima semana
O pano de fundo segue sendo o custo do dinheiro. Na mesma quarta-feira (4), o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, nível que encarece o financiamento de bens pesados como o caminhão. No comunicado, o comitê apontou uma moderação mais acentuada da atividade econômica desde a reunião anterior.
Na segunda-feira (9) começa a Fenatran, no São Paulo Expo, que vai até 13 de novembro. A organização apresenta o evento como a principal feira de transporte da América Latina, e o credenciamento gratuito vai até este sábado (7).
O que muda para a transportadora
Com o mercado de pesados ainda abaixo de 2025 e a Fenatran pela frente, o comprador tem mais espaço para negociar preço, prazo de entrega e condições de financiamento. Antes de fechar, vale comparar a taxa oferecida pela montadora ou pelo banco com o custo de manter o caminhão atual rodando, usando o seu custo por quilômetro e o roteiro de como financiar caminhão.
Para quem pensa em renovar, o momento pede conta e não pressa. Com a Selic em 13,75%, adiar a troca pode fazer sentido se a manutenção estiver sob controle, mas cada ano a mais reduz o valor de revenda do usado e tende a elevar o gasto com oficina. O guia sobre quando renovar a frota ajuda a achar esse ponto de virada.
Fonte: Fenabrave, Informativo Emplacamentos ed. 286 (outubro de 2026) e Banco Central (Copom, 282ª reunião), com informações de Agência Brasil.


