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88% das transportadoras não acham motorista e 6×1 encarece a hora

Quase nove em cada dez transportadoras rodoviárias de cargas têm dificuldade para contratar motoristas ou agregados. O índice de 88% aparece na Pesquisa de Mercado do TRC da NTC&Logística referente ao primeiro semestre de 2026, apresentada em agosto, e repete o resultado da edição sobre 2025.
O dado volta ao centro do debate nesta segunda-feira (19), três dias depois de o Congresso promulgar a Emenda Constitucional 141/2026, que acaba com a escala 6×1. Na mesma sexta-feira (16), o Setcesp, sindicato das transportadoras de São Paulo, divulgou uma simulação do impacto da nova jornada sobre o custo de pessoal do setor.
O que dizem as pesquisas
A NTC&Logística não divulgou o tamanho da amostra. Segundo a entidade, diesel, veículos e mão de obra concentram 92% dos custos das transportadoras, e a diferença média entre o custo calculado e o frete recebido ficou em 10,5% no semestre.
Na edição sobre 2025, a falta de profissionais foi apontada como a segunda maior trava ao crescimento, citada por 28,1% das empresas. De acordo com a Agência iNFRA, as transportadoras que relataram frota ociosa tinham em média oito caminhões parados, e o custo com mão de obra subiu 13,42% em 24 meses.
A conta da nova jornada
A emenda reduz o limite semanal de 44 para 42 horas a partir de 16 de dezembro de 2026 e para 40 horas em 16 de dezembro de 2027, sem corte de salário. Pela simulação do Setcesp, a hora trabalhada fica 4,8% mais cara na primeira etapa e 10% mais cara ao fim da transição.
No exemplo do sindicato, uma transportadora com 50 motoristas e 20 funcionários operacionais gastaria cerca de R$ 536 mil a mais por ano num cenário de alta de 12% na despesa com pessoal. Se a recomposição de horas vier por novas contratações, seriam cerca de sete pessoas a mais. O próprio Setcesp ressalva que se trata de uma simulação, e não de uma projeção válida para todas as empresas.
O ponto que liga os dois números é simples. Para cobrir as horas que deixam de existir, a empresa precisa contratar justamente o profissional que 88% delas já não conseguem encontrar.
O que muda para a transportadora
Com a vaga difícil de preencher, perder um motorista bom passa a custar mais do que antes: caminhão parado, frete recusado e horas extras para quem ficou. Vale medir a rotatividade por base e por rota, revisar o que pesa na saída (escala, tempo longe de casa, acerto de viagem atrasado) e conferir o piso da convenção coletiva antes de abrir a próxima vaga.
Até 16 de dezembro, a transportadora também precisa refazer as escalas para o limite de 42 horas e recalcular o custo por viagem com a hora mais cara. Quem não levar essa diferença para a tabela de frete agora tende a absorver a defasagem na margem em 2027.
Para aprofundar, veja o panorama do apagão de motoristas, o guia de recrutamento e retenção de motoristas e o que muda com o fim da escala 6×1 na transportadora.
Fonte: NTC&Logística e Setcesp, com informações de Brasil do Trecho e Agência iNFRA.


