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ARLA 32: para que serve, quanto consome e a multa por adulteração

Ícone de gota ao lado de uma folha representando o ARLA 32 e o controle de emissões do caminhão

A maioria dos caminhões a diesel fabricados a partir de 2012 tem um segundo tanque, menor e de tampa azul. É o do ARLA 32, um líquido que muita frota ainda trata como custo opcional e que a fiscalização trata como item obrigatório.

Rodar sem ARLA, com água no tanque ou com um emulador para enganar o sistema dá multa de trânsito, multa ambiental e pode virar processo criminal. E a economia prometida pela fraude costuma sair cara no motor.

Este guia explica o que é o ARLA 32, quanto ele consome, como comprar e armazenar e o que diz a regra de fiscalização em vigor.

Quer saber quanto o ARLA pesa no seu custo? Use a calculadora de custo por km da Growth Log e inclua o ARLA junto com o diesel no custo variável.

O que é o ARLA 32

ARLA é a sigla de Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo. É uma solução de ureia de alta pureza em água desmineralizada, na concentração de 32,5%, daí o número 32 do nome.

Ele é injetado no escapamento e reage com os óxidos de nitrogênio (NOx), gases poluentes da queima do diesel, transformando-os em nitrogênio e vapor de água. Esse sistema se chama SCR, sigla em inglês de Redução Catalítica Seletiva.

A especificação do produto está na Instrução Normativa Ibama 23/2009, e a qualidade segue a norma ABNT NBR ISO 22241.

Quais caminhões usam ARLA 32

O ARLA chegou com a fase P7 do Proconve, o programa federal de controle de emissões de veículos, criada pela Resolução Conama 403/2008. Ela passou a valer para veículos pesados novos em 1º de janeiro de 2012.

Desde então, boa parte dos caminhões e ônibus a diesel sai de fábrica com SCR e precisa de ARLA. A fase P8, da Resolução Conama 490/2018, endureceu os limites de emissão e manteve a tecnologia.

Alguns motores atendem à norma por outro sistema, o EGR, de recirculação dos gases de escape, e não usam ARLA. O manual do veículo diz qual é o caso da sua frota.

Quanto ARLA o caminhão consome

Segundo a cartilha do Instituto de Transporte e Logística, o consumo médio de ARLA 32 é de cerca de 5% do consumo de diesel. Na prática, varia com o motor, a carga e o tipo de operação.

Um exemplo hipotético dá a ordem de grandeza. Uma carreta que consome 5 mil litros de diesel por mês usa perto de 250 litros de ARLA. É um custo pequeno perto do diesel, mas precisa entrar no custo por quilômetro.

Consumo de ARLA muito abaixo dessa proporção é sinal de alerta. Ou o sistema está com defeito, ou alguém está mexendo nele.

Como comprar e armazenar

  • Compre só com selo do Inmetro. A certificação do ARLA 32 é obrigatória, na embalagem ou na bomba.
  • Peça nota fiscal e desconfie de preço muito abaixo do mercado.
  • Confira o lacre e a validade da embalagem antes de usar.
  • Guarde em local ventilado, longe do sol e de temperaturas extremas.

A mesma cartilha indica que o ARLA pode ser armazenado por até 12 meses abaixo de 30 °C, e por até 6 meses entre 30 °C e 35 °C. Por isso, estoque grande parado no pátio, sob sol, é dinheiro perdendo qualidade.

Nunca complete o tanque de ARLA com água comum nem misture outro produto. Além de infração, isso danifica o catalisador e o sistema de injeção.

O que a fiscalização confere

A regra em vigor é a Resolução Contran 958/2022, que substituiu a antiga 666/2017. Para caminhões a diesel com mais de 3.856 kg fabricados a partir de 2012, o agente pode fiscalizar o sistema de emissões por:

  • inspeção visual do sistema e do reservatório;
  • leitor de OBD, o diagnóstico eletrônico do motor;
  • luz de mau funcionamento acesa no painel;
  • coleta do líquido do tanque para perícia;
  • teste com refratômetro, em que concentração fora da faixa de 30% a 35% de ureia configura infração;
  • teste com o reagente Negro de Eriocromo T, que muda de cor quando há água comum no tanque.

A resolução também proíbe alterar o reservatório original e o sistema de injeção de ARLA. Tanque adaptado ou maior, sem regra própria, é irregular.

Multas por ARLA: o que diz a lei

A Resolução 958 enquadra como infração do artigo 230, inciso IX, do Código de Trânsito:

  • reservatório sem ARLA, ou com água ou outro líquido;
  • ARLA adulterado ou irregular, verificado por refratômetro ou reagente;
  • uso de emulador ou chip que altera o funcionamento do sistema;
  • falha no sistema de emissões registrada no OBD por mais de 48 horas;
  • emissão de NOx acima de 3,5 g/kWh por mais de 48 horas de operação, lida no OBD;
  • fusível do sistema faltando ou danificado e catalisador ausente ou danificado;
  • componente do sistema desconectado, obstruído ou suprimido.

Essa é infração grave: R$ 195,23, 5 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização. Alterar o reservatório original ou o sistema de injeção entra no inciso XII do mesmo artigo, que também é grave.

Há ainda a esfera ambiental. O Decreto 6.514/2008 prevê multa de R$ 1.000 a R$ 10.000 para quem conduz ou permite conduzir veículo fora das exigências ambientais, e de R$ 500 a R$ 10.000 por veículo para quem altera item que muda as emissões. E a Polícia Rodoviária Federal tem registrado casos de fraude como crime ambiental, com termo circunstanciado.

O dono do veículo também responde. Pelo decreto, a multa ambiental alcança quem permite ou autoriza a condução irregular, não só o motorista.

Por que o emulador não compensa

O emulador engana o computador do motor para que ele funcione sem ARLA. A conta parece boa: economiza 5% do volume de diesel em ARLA. Mas o risco é desproporcional.

  • Multa grave e retenção na primeira fiscalização com leitor de OBD.
  • Multa ambiental para o dono do veículo, além da de trânsito.
  • Risco de processo criminal e de o caminhão ficar retido até decisão da Justiça.
  • Perda de garantia e dano ao catalisador, que custa bem mais que um ano de ARLA.

As outras multas que mais pesam na frota estão no texto sobre as multas mais comuns de caminhão.

Checklist do ARLA para a frota

  • Inclua o nível do ARLA e a luz de mau funcionamento no checklist de saída.
  • Registre os abastecimentos de ARLA com hodômetro, como os de diesel.
  • Compare o consumo de ARLA com o de diesel por veículo. Proporção muito baixa pede inspeção.
  • Compre de fornecedor com selo do Inmetro e controle a validade do estoque.
  • Oriente o motorista: ARLA não se substitui por água, e luz acesa no painel é parada na oficina, não na fiscalização.

Este texto faz parte do Guia da frota: caminhão, fiscalização e custos, que reúne todos os artigos sobre o tema.

A opinião da Growth Log

Na nossa visão, o ARLA é o exemplo perfeito de custo pequeno que vira problema grande quando ninguém mede. Sem registro por veículo, a frota não sabe se o consumo está normal, e a fraude passa despercebida até a fiscalização.

O mesmo controle que pega desvio de diesel pega desvio de ARLA. Abastecimento com hodômetro, proporção esperada e alerta quando foge do padrão.

Como um TMS ajuda a controlar o ARLA

No Growth Log, cada abastecimento entra com hodômetro e passa por aprovação, e os dados de telemetria vão para o mesmo lugar. Assim o consumo de cada veículo sai de dado real, e o desvio aparece antes da fiscalização. Veja o módulo de combustível.

Quer ver como o controle de abastecimento funciona na sua frota? Agende uma demonstração. Vale ler também o guia de gestão de combustível.

Perguntas frequentes sobre ARLA 32

Qual a multa por andar sem ARLA? Infração grave do artigo 230, IX, do Código de Trânsito: R$ 195,23, 5 pontos e retenção do veículo. Pode haver ainda multa ambiental e processo criminal.

Quanto ARLA o caminhão gasta? Em média, cerca de 5% do consumo de diesel, conforme o motor e a operação.

Posso colocar água no tanque de ARLA? Não. É infração prevista na Resolução Contran 958/2022 e danifica o sistema de emissões.

Quanto tempo o ARLA dura armazenado? Até 12 meses abaixo de 30 °C e até 6 meses entre 30 °C e 35 °C, em local ventilado e protegido do sol.

Fontes: Resolução Contran 958/2022; Código de Trânsito Brasileiro, art. 230; Decreto 6.514/2008, arts. 68 e 71; Resoluções Conama 403/2008 e 490/2018; Instrução Normativa Ibama 23/2009; Instituto de Transporte e Logística, cartilha ARLA 32: uso correto.

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