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Piso salarial do motorista de caminhão em 2026: valores por convenção coletiva

Todo ano, entre maio e julho, o RH da transportadora faz a mesma pergunta: quanto ficou o piso do motorista? A resposta não está em lei federal nenhuma. Está na convenção coletiva da região, e muda conforme a cidade, o sindicato e o tipo de caminhão.
Em 2026, o assunto ganhou um capítulo novo. O Congresso discutiu um piso nacional de R$ 5 mil para motoristas, que acabou fora da lei. O que ficou foi a obrigação de as convenções fixarem um piso para quem roda longa distância.
Este guia mostra o que mudou, os pisos de 2026 nas convenções que encontramos publicadas e como a transportadora deve conferir o valor da sua base.
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Existe piso nacional para motorista de caminhão?
Não. Durante a tramitação da MP do Frete, um piso de R$ 5 mil para motoristas empregados chegou a entrar no texto, mas foi retirado. A Lei 15.485/2026 não fixou valor.
O que a lei fez foi incluir um parágrafo no artigo 1º da Lei 13.103/2015, a Lei do Motorista. Ele diz que acordos e convenções coletivas instituirão piso salarial para o motorista empregado no transporte de cargas em operações de longa distância.
Longa distância, pela lei, é a operação em que o motorista fica fora da base da empresa, matriz ou filial, ou de casa por mais de 24 horas. O detalhamento do que mudou está no texto sobre a sanção da Lei 15.485.
De onde vem o piso: a convenção coletiva
O piso do motorista é negociado entre o sindicato patronal das transportadoras e o sindicato dos trabalhadores de cada região. O resultado é a convenção coletiva de trabalho, registrada no sistema Mediador do Ministério do Trabalho.
Por isso não existe um único piso por estado. Em São Paulo, por exemplo, o sindicato patronal da capital assina convenções diferentes com mais de dez sindicatos de trabalhadores, cada um com sua base de cidades.
A data-base da maioria das convenções do transporte de cargas é maio. Algumas, como as do Rio Grande do Sul citadas abaixo, reajustam em janeiro.
Pisos de 2026 nas convenções publicadas
Os valores abaixo saíram do texto da convenção ou do comunicado oficial do sindicato patronal. Cada um vale só para a base indicada. Se a sua empresa está em outra cidade, o valor pode ser diferente.
Paraná: Curitiba e região metropolitana
Convenção 2026/2027 entre o Setcepar e o sindicato dos motoristas e ajudantes de caminhões de cargas do Paraná, registrada no Ministério do Trabalho sob o número PR001774/2026. Vigência de 1º de maio de 2026 a 30 de abril de 2027.
- Motorista carreteiro: R$ 3.350,00.
- Carreteiro em bitrem: adicional de 10%, piso de R$ 3.685,00 no mês todo nessa condição.
- Carreteiro em rodotrem de 9 eixos: adicional de 15%, piso de R$ 3.852,50.
- Motorista de truck: R$ 2.658,50.
- Demais motoristas: R$ 2.476,50.
Minas Gerais: base do Setcemg
Convenção 2026/2027 do Setcemg com a federação dos trabalhadores em transportes de Minas, aprovada em assembleia em maio de 2026, com reajuste de 5% sobre os salários de abril.
- Motorista de carreta (uma articulação): R$ 3.048,97.
- Motorista de veículo não articulado acima de 9 t: R$ 2.357,21.
- Motorista, outros: R$ 2.075,34.
São Paulo: Guarulhos, Arujá e Santa Isabel
Convenção 2026/2027 entre o Setcesp e o Sindicargas de Guarulhos, com pisos de maio de 2026. O próprio Setcesp avisa que esses valores valem exclusivamente para essa base.
- Motorista de bitrem e composições de 7 eixos ou mais: R$ 3.732,81.
- Motorista de carreta, categoria E: R$ 3.245,96.
- Motorista, categorias C e D: R$ 2.956,92.
Nas demais bases do Setcesp, como a capital e Osasco, o reajuste de 2026 foi de 5% sobre os pisos vigentes em 30 de abril. Os valores de cada base estão na convenção do sindicato correspondente.
Rio Grande do Sul: bases da Setcergs
Pisos em vigor desde 1º de janeiro de 2026, com reajuste de 5,32%, nas convenções da Setcergs com sindicatos de trabalhadores de Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, São Leopoldo, Guaíba, Santo Ângelo, Erechim, Viamão, São Borja e o Sinecarga.
- Motorista de estrada, rodotrem: R$ 3.115,71.
- Motorista de estrada, bitrem: R$ 2.967,35.
- Motorista de estrada, carreta: R$ 2.697,57.
- Motorista de estrada, bitruck: R$ 2.599,38.
- Motorista de estrada, truck e toco: R$ 2.475,60.
Não encontramos convenção de 2026 publicada em fonte oficial para Santa Catarina e Rio de Janeiro, por isso eles ficaram fora da lista.
Piso não é salário: o que entra na conta
O piso é o mínimo do salário base. A remuneração do motorista costuma ter outras parcelas que a convenção também regula, e que pesam no custo da empresa.
- Adicionais por composição: bitrem e rodotrem têm piso maior ou adicional em várias convenções.
- Horas extras e tempo de espera: depois da ADI 5322, o tempo de espera conta como jornada. Veja o texto sobre a ADI 5322 na folha do motorista.
- Diárias e alimentação: valores e regras definidos em convenção, explicados no texto sobre diária de viagem do motorista.
- Benefícios: cesta básica, PLR, seguro de vida e prêmio por tempo de casa variam por convenção.
Algumas convenções também permitem salário de ingresso menor por um período curto, e outras fixam reajuste diferente para quem ganha acima de um teto. Vale ler as cláusulas inteiras, não só a tabela.
Como conferir o piso da sua base
- Identifique o sindicato de trabalhadores que representa a cidade onde o motorista está registrado.
- Procure a convenção vigente no sistema Mediador do Ministério do Trabalho, em mediador.trabalho.gov.br, pelo CNPJ do sindicato.
- Confira a vigência e a data-base, porque o reajuste costuma retroagir à data-base quando a convenção é assinada depois.
- Leia as cláusulas de adicionais por tipo de veículo, diárias e jornada, não só o piso.
- Na dúvida, consulte o sindicato patronal da sua região, que costuma publicar os valores para as associadas.
O piso e o apagão de motoristas
Os pisos de 2026 subiram em torno de 5%. Com cada vez menos habilitados nas categorias de caminhão, o piso é só o mínimo legal: a disputa por motorista experiente acontece acima dele, em salário, escala e condição de trabalho.
Os dados e as frentes para enfrentar a falta de motoristas estão no texto sobre o apagão de motoristas.
Este texto faz parte do Guia do motorista: jornada, contratação e retenção, que reúne todos os artigos sobre o tema.
A opinião da Growth Log
Na nossa visão, o maior risco no piso salarial não é o valor, é aplicar a convenção errada. Transportadora com motoristas em várias bases precisa saber qual sindicato representa cada um, porque o piso, os adicionais e as regras de jornada mudam de uma cidade para outra.
Folha calculada com a regra errada vira passivo trabalhista anos depois. Ter a convenção certa ligada a cada motorista é o primeiro passo para pagar certo.
Como um TMS ajuda a pagar o motorista certo
No Growth Log, a jornada, as pausas e a espera registradas pelo motorista no aplicativo ficam ligadas à viagem e chegam à folha já no desenho pós-ADI 5322. Veja o módulo de RH de motoristas ou agende uma demonstração.
Perguntas frequentes sobre o piso do motorista
Qual o piso salarial do motorista de carreta em 2026? Depende da convenção da região. Nas que encontramos, vai de R$ 2.697,57 nas bases da Setcergs, no RS, a R$ 3.350,00 em Curitiba e região, no PR.
Foi aprovado piso de R$ 5 mil para caminhoneiro? Não. O valor foi discutido na MP do Frete, mas retirado. A Lei 15.485/2026 só determina que as convenções coletivas fixem piso para motoristas de longa distância.
Qual a data-base do motorista de caminhão? Na maioria das convenções de transporte de cargas, 1º de maio. Algumas, como as da Setcergs no RS, reajustam em janeiro.
Onde consultar a convenção coletiva do motorista? No sistema Mediador do Ministério do Trabalho, pelo CNPJ do sindicato, ou no site do sindicato patronal da região.
Fontes: Lei 15.485/2026, art. 6º (Planalto); Convenção Coletiva Setcepar 2026/2027, registro MTE PR001774/2026; Setcemg, termos da CCT 2026/2027; Setcesp, CCT 2026/2027 com o Sindicargas Guarulhos e Arujá; Setcergs, circular das convenções de carga seca.


